segunda-feira, 4 de junho de 2012

Entre linhas



Por onde andas tu?
Que trilhos percorrem agora os teus passos,
que dás tão longe dos meus ....
Por onde andas, tu?
Que perturbas o meu pensamento
E flagelas a minha fraqueza....
um dia, num qualquer dia, 
mas sempre, todos os dias.

Sei que me desejas e procuras no meu olhar.
um qualquer título escondido, 
negando-me...
Sei que sou eu, 
quem desejas, quem te segure na mão.
Sentes-te segura perto de mim....
Mas não sou eu quem te conhece na intimidade.
Não te entendo...
custas-me entender-te.
Sou eu 
Quem vê ondular os teus cabelos
quando feita criança, os soltas ao vento... 
nos meus sonhos, e quem sabe nos teus...
nos sonhos que acordo quando vivo verdadeiramente,

Por mim 
chegou o momento,
novamente, o mesmo momento, 
igual a outros tantos já vividos.
De encerrar a leitura, deste livro já gasto.
que em poemas e lembranças esquecidas,
teimas em guardar num velho baú.

Tu sabes bem,
que não gosto de capítulos incompletos
de historias mal contadas,
e a paginas tantas,
rasgas-me do final.
Quero porem que saibas,
que fostes o meu livro preferido, 
Não aquele que se guarda na prateleira,
mas o outro... 
aquele cuja historia
somos nós a escrever...

Dizes-me ser uma folha solta,
daquelas que toda a gente ignora
por se encontrar sozinha e deambulante,
Como as folhas de outono,espalhadas pela avenida....
São tão autenticas e únicas essas folhas,
Em que te procuras e te embalas pelo vento.
À descoberta de mim.

Um simples gesto, de boa vontade,
em apanhar do chão, essas folhas
e erguendo de ti esse desejo,
não resistas em me colocar num livro 
que te pertença,
Não como adenda, mas como um final feliz.
Dizes que sou só eu, 
quem te consigo ler 
nas linhas, 
e nas entrelinhas,
nos espaços em branco onde te escondes 
e guardas os teus segredos. 
Mais que as letras e os parágrafos impressos.
Em silencio, dizes-me tanto,
e eu olho-te
enquanto me folheias as ideias.

Fostes uma pequena parte de mim.
Uma breve nota de rodapé, um terno parágrafo
Do que fui, 
do que me tornei,
porque embora me tentes esquecer
como eu a ti,
também sei que apenas adormecido 
vivo em ti.



Escrito por
Henrique Rocha Almeida


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