Ponto de partida.


Um dia nunca é como outro qualquer.
Não acredito em dias iguais, nem os desejo assim desse modo.
Procuro sempre descobrir outros caminhos, ainda que me levem ao mesmo destino, ou a parte nenhuma.
Não receio percorrer por um destino e ter de andar para trás.
Sabem porquê? Porque ao voltar atrás a  forma de ver as coisas torna-se sempre diferente.
- Quantas vezes, por exemplo, ao percorrer uma rua, ao voltar para trás nos assola um:  -Acho que nunca passei por aqui.!
E  passámos por lá toda uma vida... mas a  forma oposta ao que sempre  conheciamos de outra maneira nunca a reconhecíriamos.
Estou sempre do outro lado, quer das coisas quer da rua.
Afinal procuramos sempre longe o que temos perto, porque temos uma ambição desmedida para nos cansarmos por tudo e por nada.
Estamos fartos de estar bem. Cultivamos esse dom.
Gostamos de sofrer e queixamo-nos de desejar tanto...
Gostamos de desejar e queixamo-nos de sofrer por nunca encontrarmos o que queremos procurar.
Gostamos de ser nós, achando que os outros é que estão sempre bem, pensado eles o mesmo de nós.
Gostamos de gastar toda a nossa eficácia á toa só para nos sentirmos cansados pois só assim nos parece valer a pena tanto sofrimento.
Somos tão tontos, não somos?
Não devemos ter medo de voltarmos atrás só porque receamos não mudarmos o modo de vermos as mesmas coisas? 
É que tudo se torna tão desigual e ao mesmo tempo tão semelhante.
O importante porem é que não se tenha receio de voltar á origem das coisas, boas ou más.
O ponto de partida será sempre o inicio de tudo ou de coisa nenhuma.
Mas que importa?
O prazer de conhecer uma nova caminhada só se pode alcançar após o primeiro passo.
Eu gosto de caminhar, mesmo descalço,  por caminhos diferentes, mesmo que sejam os mais longos os mais demorados e até os mais espinhosos.
Para que tanta pressa? O mundo é redondo e mal ou bem chego sempre ao mesmo ponto...de partida. 
O importante é que nessa viagem eu sinta, tu sintas, todos nós sintamos que valeu a pena, senão nunca iremos acrescentar nada de novo ao nosso dia a dia.
Corremos assim o risco de ninguem reparar em nós.... mesmo que esse ninguem por instantes se volte para trás!


Escrito por
Henrique Almeida

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