domingo, 4 de julho de 2010

Ponto Final


Ponto final.
Assim terminam quase todas as historias.
Não interessa o final, até porque a alegria de um fim feliz pode ser o oposto de outro e vice-versa.
Ponto final....
Não que alguma vez o desejasse, não da forma como tudo aconteceu, tão rapida e fugaz, como se já não existisse mais amanhã. Pedia-te apenas um segundo num tempo infinito, um momento breve que não fora mais que as reticências num texto que ficou por escrever.
Que importa agora? Nada! - Absolutamente nada. Apenas me restam as lembranças e as memorias que se escondem e percorrem nestas linhas.
Naquela tarde subias a avenida a passos largos e firmes, ao fim de tanto tempo em que ambos desejávamos estar juntos.
Enquanto te observava de forma discreta e escondida, nas sombras das arcadas, olhava-te e reparava no quanto eras bela....olhos meigos...boca rosada....cabelo forte e sedoso...simplesmente linda.
Chegastes ao cimo, no local combinado e à hora marcada. Agora eram os teus olhos que percorriam todo o espaço em redor, inconscientes ao olhar de quem te observava uma vez mais. Por fim cruzaram-se os olhares e sorridentes caimos num abraço saudoso e apertado.
Foi bom.
Foi muito bom ...sentir o teu abraço , os teus lábios nos meus, o calor do teu corpo e acima de tudo o afago do teu carinho.
Caminhámos de mãos entrelaçadas, e numa pequena puxada agarrei-te contra o meu peito e desejei ficarmos assim para sempre....
Mais do que as palavras, sentimo-nos nos braços um do outro como um corpo só. O teu suspiro era como que uma melodia de paz profunda e ofegante á minha alma e acima de todo ao meu coração.
Achei-te demais para mim. Nos teus olhos vi que ardiam outros sonhos, caminhos que eu não puderia traçar. Seria tonto? Inseguro ? .... Talvez....
Mas não faz parte de mim cultivar essa maldade em ver um caminho que não podendo ser o meu, te prender a uma amarra sem futuro. Não importa. Sei que sofrestes, eu tambem sofri.
Acima de tudo foi o passo correcto e ainda hoje te guardo no coração...
Sem mágoa nem rancor.
Perdoa-me um dia se puderes e o desejares...Deixa-me apenas agora descansar nos meus pensamentos, saborear a doçura da nostalgia que não termina para quando adormecer poder dormir em sossego.
Ao acordar sempre terei mais uma vez o prazer de poder ler estas linhas. É bom descobrir dia após dia...sem mentiras que o nosso ponto final pode afinal ser descoberto noutras historias.
O livro que nos deixa saudades...pode ser lido por mais uma vez, vezes sem conta....sem pontos finais

Escrito por Henrique Rocha Almeida

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