sexta-feira, 22 de maio de 2009

Abrigo


Sei que vivi a minha vida em função dos desejos e das ilusões, com que me embriagastes, esquecendo-me e cegando-me na mesma dinâmica e dimensão com que me dediquei totalmente a ti.
Mas não me arrependo de nada.  Senti-me feliz...fui feliz, e esse pequeno pormenor muda tudo. Não me arrependo porque, no fundo, se fiquei foi porque assim o desejei. Sou culpado pela minha falha. A minha suposta felicidade passava por estar sempre a teu lado, nem que fosse por um breve segundo.
Ainda assim, peço-te desculpa,  porque no fundo sinto que te usei.
Tudo o que mais desejava, a cada instante, a cada momento, e a cada segundo, era somente poder estar junto a ti. Bastava apenas ouvir a tua voz, ver o brilho do teu olhar, bastava apenas .....estar contigo.
Não fostes o único amor por quem me perdi como também não fostes o único por quem me haveria de perder. Naquele tempo, naquele momento e naquele lugar, foste tu a água da minha sede, o alimento da minha fome, o abraço da minha saudade e a musica da minha alma….no fundo fostes tudo para mim.
Estar contigo foi tão forte como despertar a meio da manhã e procurar-te nas ondas do mar entre pequenos suspiros que em recado e em segredo confessava às marés. Desejava insanamente sentir-te em cada raio de sol e em cada gota de água salgada que sentia na minha face á procura de frescura.
Naquele momento a única razão de existir eras tu e durante muito tempo, desejei, que fosses para sempre a causa do meu sofrimento.
Contudo um dia algo perturbou a minha resignação
 e a minha vida rumou a outros destinos como uma caravela em busca de novos mares e de novos portos de abrigo. 

Passei por tempestades e tormentas, sofri, magoando-me nas minhas próprias palavras e ilusões, chorei e fiz juras de amor que sei nunca mais cumpriria. 
Hoje, como ontem, senti uma saudade imensa de voltar ao local onde me abriguei, mas algo em mim mudou. 
Não és mais um pretexto á minha dor nem a firmeza da minha resistência. E embora gostasse de te recordar como a fonte da minha libertação apenas consigo lembrar-me de ti, como um linha de horizonte que sei que no fundo já não existe. 
Aprendi a derrotar o medo e a crescer, a explorar novos portos de abrigo, onde procuro resgatar as energias necessárias para vencer novos duelos e encetar novas conquistas. 
No fundo nada mais tenho a perder, pois tudo o que tinha a perder ganhei com a tua ausência. 
E agora apenas me resta navegar ao sabor do vento… desfraldar as velas da paciência e deixar a noite cair enquanto vou descobrindo as estrelas...como quem espera um grande amor, mas sem pressas nem demoras. 


Escrito por 
Henrique Almeida

Sem comentários:

Caminho

Tu que procuras um caminho e vives numa constante encruzilhada, que te julgas neste mundo, sozinho, à procura de tudo e de nada. Tu, ...