segunda-feira, 6 de abril de 2009

Entre o sonho e a realidade



Olhavas-me nos olhos e sentias-me longe, algures, talvez… entre o sonho e a realidade. Nesse instante descobrias-me entre as muralhas do meu sofrimento e pegavas-me na mão, melodizando palavras, tentadoramente sussurradas ao meu ouvido.
Com uma suavidade encantada, peculiar do teu ser tão sublime e eminente com um olhar expressivo longe de ser magoado, magica e silenciosamente.
Adoro o silêncio das palavras sábias da mesma forma que adoro o odor da tua paz, o arrepio do teu sossego, o calor do teu amparo, o conflito do teu luto.
Adoro o mesmo caminho incomum onde silenciosamente, caminhas junto de mim, marcando a tua presença na minha consciência debilitada, impelindo-me pela palma da tua e da minha mão que já não a sinto de forma humana mas sinto-a sonhando como um anjo rebelde á procura dos meus pecados.
Vem ter comigo…descobre-me por entre a ilusão que habita no meu pensamento, e por dentro da cegueira que foi poder amar-te.
Perdoa-me! Ao sentires verdadeiramente o reflexo da luz da minha condição que foi poder esquecer-te com a mesma agonia que foi perder-te. Desculpa-me se acreditei nas mentiras que julguei viver como verdades e no fundo, não eram mais do que pequenos espelhos onde desejei mais do que o que senti.
Essa fraude  não era mais que a negação, de não querer nele incidir a minha imagem, e onde usufruí das agonias cruéis de estremecer em frente a ti.
Porem tudo não passou de simples brinquedos. Agora quebrados, no meu coração, apenas guardo deles a recordação dos momentos infantis, que vivi e dos quais recordo, numa saudade imensa e ao mesmo tempo cruel.
No fundo deixo-me adormecer num mar de mágoa e nostalgia deixando-me ferir pelo teu arpão e enlaçando-me nas redes que me lançastes, tudo porque segui o brilho dos teus olhos e neles retratei os sonhos com que me feristes a razão.

Escrito por Henrique Almeida

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