terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Fala-me de ti.



Atalhei num determinado tempo por um espaço de efémera demora, na procura de uma causa de um odor fresco e subtil, que numa amena manhã de Verão, tentei desencobrir com um soslaio ingénuo e ardente, o motivo que reacendeu na minha leviandade, o desejo de reencontrar, naquele instante, uma fonte de inspiração há muito perdida.
Procurei de forma discreta e fugaz, tão nobre motivo, vagueando deste modo, o meu olhar em redor de mim, filtrando cada aroma que descobria, que a cada instante memorizava inconscientemente, procurei num segundo relembrar-me de algo que há muito esquecera.
Esquecera também que são todos estes momentos os autênticos instantâneos da nossa vida, espelhados em memórias incessantes e repartidas, onde procuramos muitas vezes o porto de abrigo ou uma âncora que nos ajuda a fundear as nostalgias e as saudades e, por onde descobrimos os caminhos atalhados, pelo desejo e pelo vigor da vida e da existência. 

Foi num desses instantes que te vi. Pela primeira vez! E foi nesse mesmo instante que te olhei…pela primeira vez.
Fixei encantadamente os meus olhos na tua existência e guardei todos esses breves momentos na minha memoria. A mesma memoria que te encontra só e desprotegida, num ermo de pensamentos de nostalgia e reflexão, numa força carecida de dádivas de amor, numa consistência pura de dedicado afago e ternura.

 -A vida é tão simples! Só a consideramos complexa e difícil porque estamos fartos é de estar bem!!

Receias olhar-me nos olhos porque com eles profano a tua sagrada vida de silêncios, que tentas ocultar, no teu coração…pior na tua alma.
Receias a verdade porque no fundo anseias que te retire o véu. Como um amante que adora cada suspiro que libertas, e palpita por cada contacto que sente e alcança no teu corpo.
Dizes que sou demente quando no fundo a loucura reside no teu afago, na vontade, ou no teu medo, de amares um louco.

As opiniões dividem-se e quem vive de aparências morre a cada instante.



Escrito por
Henrique Rocha Almeida

1 comentário:

Susa disse...

Está muito bonito o texto. As palavras estão delicadamente articuladas que se consegue viver o que fora vivido por outrém.

Caminho

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