quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Há locais que falam por si.

Há locais que falam por si.
Há locais que nos fazem ir ao encontro de novas pessoas, de novos projectos, de novas ambições… de sonhos.
Há locais que o tempo não nos apaga da memória mesmo que o Homem o modifique na sua essência física. No fundo são esses locais que guardamos sempre como pequenos quadros, como que pintados por mão de um pintor, onde cada traço não passa de um momento vivido… de um pedaço de nós e dos outros. Por vezes, olhamos para o quadro que criámos, e vemos nele essencialmente os pincéis que deveríamos ter usado e não usámos, os retoques que poderíamos ter dado e não demos e por vezes ao querer-se remediar é tarde demais? E perguntamos: - Porquê?
Em toda a minha existência associei sempre os locais às pessoas que conheci, e que partilharam comigo um dado momento. Essas pessoas, assim como os locais que neles vivi ou frequentei, são figuras vivas de um quadro que ainda hoje continuo a pintar. Não o terminei e como tudo na vida não sei como vai terminar. No fundo, no fundo não sei até que ponto gostaria de saciar esta minha curiosidade.
Medo? Receio? - Não sei! Há coisas que, como os lugares, adormecem dentro de nós com uma luz tal que nos deslumbra e nos faz acreditar que …é melhor ficar assim.
Será mesmo assim?
Eu acredito que na vida e em tudo o que nos rodeia todos os momentos e sensações que vivemos é o equivalente ao leito de um rio. - Tudo o que por ele passa, quer seja de bom quer seja de mau, deixa um pouco da sua essência, e tudo o que possa deixar marca modifica o seu brilho e o seu espectro, a sua pureza e a sua naturalidade assim como fios de tinta de um pincel, numa folha branca de papel…
E assim como o rio nasce e desagua no mar, assim a nossa vida começa e termina. E assim como pensamos que nada nos possa surpreender assim nos transformamos quando algo nos toca…no fundo. O que importa afinal não é o valor que damos à vida, pois ela tem o valor que tem, mas sim o significado que lhe atribuímos, e tudo o resto são ilusões, conquistas e segredos.
Até porque os pintores não morrem. Apenas adormecem nas telas!...
E eu acredito.

Escrito por Henrique Rocha Almeida

1 comentário:

Susa disse...

Eu, por exemplo, tenho um lugar que irei sempre associar a ti, meu querido amigo.
Aos meus melhores anos de escola.
Tu e o Rui foram a melhor companhia que alguém poderia ter.
Obrigado por tudo ao longo destes anos de sincera Amizade.

Caminho

Tu que procuras um caminho e vives numa constante encruzilhada, que te julgas neste mundo, sozinho, à procura de tudo e de nada. Tu, ...