segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Hoje apetece-me ler-te


Hoje apetece-me ler-te,
descobrir no teu corpo um livro,
e percorrendo cada pedaço dessa estante,
encontrar-te entre atalhos de letras 
de um  abecedário esquecido.

Hoje apetece-me ler-te,
fazer de ti um poema.
Encerrar um capitulo único
e perdurar a minha leitura
apenas e só num paragrafo.
Hoje, como em todos os dias...
sempre como em todos os dias,
as mais belas horas são
as dedicadas à tua leitura.

E mesmo não sabendo ler
procuro entender-te e ser de ti,
uma consoante apenas,
para que te conjugue no verbo amar.

E pelos meus lábios não encontrarás frases,
apenas silêncios nus.
Porque sendo a tua pele o meu pergaminho,
onde escrevo invisível e oculto
poemas perversos,
beijando-te,
procuro saciar
a minha sede de palavras.




Escrito por Henrique Rocha Almeida

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