Oiço lá fora o cair das lágrimas do céu,
Chegam sem avisar, sem nada prometer,
Apenas o ritmo, de um bater que é só teu,
Num pranto límpido, que o chão vê nascer.
Formam um manto de um encanto azul.
Chora nuvem, respira o vento,
Um sopro errante que vai de norte a sul.
Suspira o Mundo, num breve momento,
Deixa-me ouvir esta melodia de azul.
Traz-me novas de outras gentes,
O frescor que acalma o meu calor.
Deixa-me ouvir… Não sentes?
A nostalgia de um grande amor.
Traz-me vozes de outras correntes,
O orvalho que afaga o meu ardor.
Uma janela aberta, o ar chega ensopado,
A rua emudece num silêncio profundo.
Leva-me ao peito o dia passado,
E lava-me o rosto com a água do mundo.
Um sinal frio, um silêncio sagrado.
Olhando o céu aprendo a guardar,
Nas conchas das mãos, o que me faz doer.
E quando o vento cansar de soprar,
Quero que me conte, quem ficou por querer.
Henrique Rocha Almeida | 05/MAI/2026 |
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