quarta-feira, 6 de maio de 2026

Melodia de azul


Oiço lá fora o cair das lágrimas do céu,

Chegam sem avisar, sem nada prometer,

Apenas o ritmo, de um bater que é só teu,

Num pranto límpido, que o chão vê nascer.

Formam um manto de um encanto azul.


Chora nuvem, respira o vento,

Um sopro errante que vai de norte a sul.

Suspira o Mundo, num breve momento,

Deixa-me ouvir esta melodia de azul.


Traz-me novas de outras gentes,

O frescor que acalma o meu calor.

Deixa-me ouvir… Não sentes?

A nostalgia de um grande amor.

Traz-me vozes de outras correntes,

O orvalho que afaga o meu ardor.


Uma janela aberta, o ar chega ensopado,

A rua emudece num silêncio profundo.

Leva-me ao peito o dia passado,

E lava-me o rosto com a água do mundo.

Um sinal frio, um silêncio sagrado.


Olhando o céu aprendo a guardar,

Nas conchas das mãos, o que me faz doer.

E quando o vento cansar de soprar,

Quero que me conte, quem ficou por querer.

Henrique Rocha Almeida  | 05/MAI/2026 |

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