quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Poço das lágrimas

Sentei-me uma vez mais no areal húmido, fechei os olhos e deixe-me levar pela brisa do vento e pelo encanto da voz do mar. Revivi todos os momentos que passei junto de ti e senti saudades de todos esses instantes. Olhei no horizonte e procurei esquecer o que sei que nunca poderei abandonar… A tua presença na minha vida!Existem momentos na nossa vida, por vezes tão fugazes e superficiais que só mais tarde lhe damos a importância devida. De uma forma ou de outra, eles foram muito importantes para nós, e nós è que no momento correcto não lhe soubemos dar a atenção merecida. Depois existem, também, aquelas pessoas que se cruzam na nossa vida e embora não nos conheçam, basta contemplarem profundamente os nossos olhos e descobrirem através deles toda a nossa vida e ainda assim nos admirarem como quem procura o seu anjo da guarda. Olhei pelo horizonte em busca de outras marés, de outros momentos, de uma outra falésia que me abrigasse de idênticas tormentas, procurei no fundo, uma outra vida…. Eu adoro ouvir cantar o mar. A sua melodia é como quem chora por um momento de afecto e a deixa fugir em breves instantes. Há quem diga que é o destino e nada podemos fazer, eu acredito que o destino não acontece…limita-se a existir quando temos a coragem de abrir uma porta e percorrermos por aí um determinado caminho. Deixei-me ficar por ali mais uns instantes, lembrando-me de ti e do quanto me fazes falta. Que vazio sentia na minha alma e que angustia sofria por te ter perdido. Mas agora é tarde demais…A noite chegou, e revivi sozinho as noites em que fomos cúmplices ao fazermos da noite o nosso refúgio e do mar, das estrelas e da areia o mais belo e perfeito quadro de um pintor. Retratei na minha mente os momentos… um por um… que passei junto a ti. Senti saudades! – Senti muitas saudades! Senti um nó no meu peito e abri os olhos quando o mar me refrescou os pés e me fez regressar à verdade. Tinhas partido. Umavez mais e de uma vez por todas tinhas partido em busca da tua felicidade, que dizias existir apenas a meu lado.Uma vez mais também eu sonhava… sentia que me tocavas, que me segredavas ao ouvido juras que sabia não puderias cumprir mas que no fundo não eram mais que promessas sem compromisso…Na vida cada segundo conta e existe um dado momento em que um segundo muda todo um futuro. Eu não arrisquei e peço que me perdoes por isso. Quem sofreu e suportou a dor da solidão foste tu, porque tiveste a coragem de percorrer o caminho ao qual abristes a porta e eu nem sequer tive a coragem de espreitar pela janela…Olhei no horizonte, e recordei com nostalgia o tom da tua voz, a expressão dos teus lábios e o carinho da tua boca. Enterneci-me ao lembrar do teu olhar, e por fim chorei com saudade do aroma da tua presença. Senti naquele instante a minha pobreza e a importância da tua ausência, realidade amarga que se tornou mais sentida por saber que não voltarás a escrever uma folha no diário da minha vida e mais não és agora que um poço de lágrimas, com o qual rego a minha mágoa e o meu sofrimento.
Escrito por Henrique Rocha Almeida
Agosto2008

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